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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Em busca da felicidade

"Certa vez decidi procurar a felicidade. Sai numa jornada épica, vivendo cada coisa com o olhar atento, focando no meu objetivo. E quando estava mais desenganado de meu sucesso, me dei conta que eu estava rodeado de felicidade. Verdadeiros tesouros em todos os cantos que olhava. 

Encontrei a felicidade no riso sincero. Encontrei a felicidade na gargalhada despreocupada. Encontrei a felicidade na alegria infantil e na mais avançada idade também. Encontrei-a no olhar inocente das crianças, no olhar forte dos jovens, no olhar esperançoso dos adultos, no olhar nostálgico dos mais velhos. 

Encontrei a felicidade na verdade do encontro, na troca de energias, no olhar brilhante de meu companheiro. Encontrei a felicidade no estar junto, no estar PERTO, no querer junto. E muito.

Encontrei a felicidade Naquele Abraço bem apertado, vivo, enérgico, e totalmente grátis.

Encontrei a felicidade no Amor distribuído, desapegadamente.

Encontrei a felicidade em corredores sombrios, salas iluminadas, praças movimentadas ou em ladeiras arborizadas. Encontrei a felicidade em noites felizes num bairro pitoresco. 

Encontrei a felicidade ao viver inúmeras aventuras, dignas de Odisseu, com uma Guerreira, outra Altina, e, pra começar, certa Bolonhesa. 

Encontrei a felicidade na ponta do meu nariz vermelho, nessa energia 300% que parecem bolinhas em ebulição dentro de mim; nessa vontade de ser e de fazer feliz.

Sim, fui feliz. E assim voei, leve. Na alma." 


Bolota Tonelada


Rafael Victor

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Utopia infantil.

Não queria crescer. Sentia medo dos adultos. E num devaneio insano, desejou intensamente não mais crescer. E nunca mais cresceu. Assim, pode ir pros mundos encantados de suas histórias favoritas, cheias de magia e diversão. Até que lhe deram um susto e ele acordou sobressaltado. Acordou no selvagem mundo dos adultos. E chorou.

Rafael Victor

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Angústias.

Insônia.

Olhos Secos.

Olhos Vermelhos.

Boca Seca.

Olhos Saltados. Em pleno escuro.

Mãos, violentas, arrancam fios do cabelo.

Trêmulas, incapazes.

As pregas vocais rangem, numa louca tentativa de soltar uma nota altíssima, o mais desafinado possível.

Tudo em busca de um desabafo. Algo que venha aliviar a dor no seu peito, a estafa em seu cérebro.

Palpitações. 

Silêncio...

Gritar resolve?

Decide chorar.

Olhos secos, não permitem. 

Ira. 

E aqueles pensamentos que o angustiam não param de invadir sua mente.

Dúvidas. Questionamentos. E, até, possibilidades. Tudo irritando seus neurônios e suas supra-renais.

Palpitação. Pupilas dilatadas. Escuro, ineficaz na arte de esconder as coisas. Muito menos, pensamentos.

Dormir. Pra esquecer.

Insônia. 

Preso, num quarto. Preso, num corpo. Preso, no próprio cérebro.

Quer se libertar. Quer voar. Deseja loucamente qualquer coisa similar.

Ou, pelo menos, entender.


Rafael Victor

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Caminhos Cruzados

Era uma história de dois jovens. Um garoto e uma garota. Ele, coração ferido, sarando ainda do último golpe que o famigerado amor havia desferido contra seu peito. Ela, inocente, jovem desbravadora dos caminhos sinuosos do coração,esperava ansiosamente pelo dia que aquele mesmo famigerado amor bateria em sua porta. Ou quando ela tropeçasse e caísse em cima dele.

Não se sabe bem ao certo como os caminhos dos dois jovens vieram a se cruzar. Mas o destino, com seu estilo todo misterioso de trabalhar, se encarregou de unir os dois caminhos num só. E nessa peripécia, eles se conheceram e a afinidade foi mais que evidente. Estavam encantados, um com o outro. Seus olhares só tinham brilho quando estavam próximos e parecia que havia uma concentração maior de adrenalina em seu acelerado sangue.

Mas havia uma certa diferença naquele até então estranho sentimento que parecia surgir concomitantemente no coração daqueles jovens. Tantas conversas, tantos risos, tantos abraços... ah, os abraços; Não havia melhor lugar no mundo para aqueles dois que nos abraços que se entrelaçavam. E o que fazia diferenciar a forma que se atraíam era a enganadora dos sentimentos mais nobres: a dúvida. Ela, inexperiente nos papos de coração, não sabia o que sentia de fato por aquele garoto. "Será amor, será paixão? Mas nós somos bons amigos! Será que...". E ele tinha dúvidas se queria realmente sentir aquilo. Ou aquele (amor). Ao contrário de nossa heroína, ele já era mais experiente nos papos de coração, e como já havia sofrido muito queria se endurecer para nunca mais sentir algo parecido. Ou pelo menos por um bom tempo. No entanto ele não era tão experiente a ponto de saber que esse tipo de coisa não está no nosso querer. Talvez seja mais uma peripécia do Sr. Destino...

Mas a garota era muito perspicaz. Enquanto ele provavelmente tentava esquecer os efeitos de sua última dor aproveitando uma amizade que fingia não ver os promissores potenciais, ela buscava se informar, descobrir, averiguar, diagnosticar o que de fato estava sentindo. E ela descobriu! Ou pelo menos acha que descobriu. Descobriu sim; o pelo menos é por simples zelo dela. Sua descoberta, ela a guardou em segredo. Só as personalidades mais próximas que teriam o merecimento de saber.

Não! Ela não aguentava mais aquela situação! Aqueles segredos, aquele sentimento todo que parecia prestes a explodir e esborrar pelos seus olhos, bocas, ouvidos... "E ele... Ele com seus olhos brilhantes e sorrisos inebriantes, sempre tão forte; tão perto e tão distante... Será que... será que ele sente o mesmo? Será possível que ele consegue esconder com tanta maestria?" Enrubescia à mera citação de seu nome, virava-se ansiosa ao simples pensar que havia escutado a voz dele. E nessa euforia um tanto adolescente, seu coração mostrava sua jovialidade ao não parar quando lhe chegava o estímulo visual daquele rosto, daquele garoto.

E ele? É lógico que ele sentia o mesmo. Mas não é necessária a redundância para se explicar porque disfarçava. Sim, ele queria pular, voar, gritar e até cantar! Queria gargalhar depois de beijar aquela que poderia se tornar a mulher de sua vida. Mas, além de dúvida, tinha medo.

Ela decidiu mudar tudo. Tinha que arriscar. Tinha que falar. Não importa se seu rosto incendiasse quando ela o fizesse. Ela conseguiria reverter aquela situação, que de tão torturante poderia ser mágica! Ensaiou em frente ao espelho. Ensaiou algumas piadas também, para quebrar a tensão, porque eles faziam muito isso juntos, riam. Mas acabou tudo num pedaço de papel. Afinal ela sempre fora melhor com a caneta que com as cordas vocais. Esperaria o momento certo para lhe entregar a carta. Ou então faria o momento. Deixaria mais uma vez nas mãos do Sr. Destino.

O momento chegou e ela nem se deu conta. Estavam mais uma vez juntos, numa tarde de quarta-feira, conversando naquele banco que costumavam sentar e conversar por horas, enquanto o sol e a brisa circulavam seus corpos. Os distantes sons de suas risadas ainda ecoavam em suas cabeças quando silenciaram e ficaram simplesmente a se olhar. Olho no olho, bem assim. Ela, inebriada com aquele brilho. Ele, tentando decifrar o óbvio e mergulhar em sua alma. Até que o momento surgiu. Ah, o Destino.

Ele que havia tomado a iniciativa. Perguntou. Sim, era sobre sentimentos. Ela, incapaz de esconder a verdade, desviou o olhar e, com as faces rubras e febris, admitiu. Rapidamente pegou o papel todo escrito em sua mochila bagunçada e estendeu para ele, com os olhos no chão. Ele leu, e sorriu. Ela levantou o olhar, esperançosa. Ele sorriu de novo, iluminando o rosto dela. Declarou sua percepção a verdade. Estava muito satisfeito internamente. Havia descoberto a verdade que tanto queria e não disse a verdade sobre si mesmo. Apenas sorriu, transparecendo sua satisfação. Mas a garota, ansiosa, não percebeu isso. Ou então percebeu sim, pela maneira serelepe e saltitante que regressou ao seu lar depois que se despediu do garoto.

O que aconteceu naquela tarde ainda é um mistério. O encontro real de dois corações se deu ali, com aquela pergunta, aquela carta, aqueles sorrisos. Descoberta, satisfação e paixão, são apenas alguns sentimentos que inundaram aquele banco, aquela tarde. Se se abraçaram, se se beijaram, ou se ficaram ali, apenas olhando nos olhos e sorrindo, não importa. O que importa é que os caminhos dos dois estão entrelaçados. A garota, muito mais feliz e menos ansiosa; vive a se emocionar por uma flor que vê nas estradas ou rir de uma rajada de vento mais forte que assanha seus cabelos. O garoto, ainda mais confiante, decide deixar que os fatos se desenrolem naturalmente, mas disso o Sr. Destino se encarrega prontamente. Já experimentam o amor a felicidade incondicional que ele pode trazer. Mas eles querem experimentar ainda mais, juntos. E quem não iria querer?

'Baseado em Fatos Reais'

Rafael Victor


Dedico à senhorita D.Q., que talvez tenha vivido ou viverá uma história vagamente parecida com essa.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Diálogos


Estavam conversando havia duas horas já. Depois de tantos assuntos discutidos, sentidos, vivenciados e até polemizados, veio aquele silêncio estranhamente constrangedor e tímido. Estranho para a evolução da conversa que conseguiram.
-Sabe, eu queria te falar algo...
-Sim...
-Faz tempo que isso acomete minha mente e...
-Sim?
-Na verdade acomete meu coração, sabe...
-Ai.
- O quê?!
- Nada, continua.
-Bem, não sei como dizer isso eu... sei lá. Te admiro muito.
-Ah, eu também te admiro bastante.
-Sim, mas é mais que isso, sabe. Algo mais intenso. Algo que me enerva, me enlouquece só de pensar em você. Eu... sim, eu amo você. Pronto, falei.

Leve rubor acomete os dois rostos cujos olhares se encaravam momentos antes mas que agora fitam o chão de cimento da praça.

-...
-Eu entenderei se você não souber o que dizer. Deve ter sido muito de repente. Ah, também vou entender se isso não lhe agradar, se você precisar se afastar. Posso esperar qualquer tipo de resposta sua, mas só de poder ter te falado isso já me sinto mais leve e...

Parou de falar porque havia alguns dedos pálidos em sua boca.

- O q..?
-Shhh!
-...

Mais rubor.

-Você fala demais!
-Mas eu...
-E se distrai muito facilmente. Será que não deu pra perceber ou, pelo menos, hipotetizar que eu poderia  sentir algo similar por você?
-E eu tenho essa sorte? (Bufou)
-Sim, você tem.

Ergueram os olhos, brilhantes, e se encararam, se encontraram. Um leve sorriso surgiu de um lado. Um olhar pro alto e risadas, um tanto quanto envolventes, do outro. Riram. Estavam aparentemente sós; apenas algumas pessoas corriam ao longe, naquele fim de tarde. O crepúsculo e a as primeiras estrelas já garantiam a iluminação perfeita para a quela conversa. Ainda sorrindo, em silêncio, se aproximaram mais e seus lábios se uniram. Durante algum tempo ficaram ali, juntos, sem pensar nada, apenas sentindo. Se separaram e os sorrisos ainda enfeitavam seus rostos.

-Então essa que é a felicidade?
-Eu acho que sim.
-Nossa. Eu e meu medo infantil.

Riram mais um pouco e experimentaram mais o que descobriram ser, provavelmente, a felicidade...


                  Rafael Victor