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terça-feira, 26 de abril de 2011

Medo da morte

"Não tenho medo da morte... tenho medo da desonra..."
(José de Alencar)

Viver em nosso mundo é um desafio surpreendente todos os dias. Às vezes acordamos pela manhã e nos deparamos com um ambiente hostil, e pedimos para voltar ao sono, ao nosso mundo de sonhos... Mas infelizmente, ou não, temos que encarar a dura realidade que nos cerca. E para quem pensa que lembrando das pessoas que sofrem materialmente ajuda a você a encarar a vida com mais disposição eu digo: Estão enganados. Porque nesse mundo e nessa vida todos temos problemas e a alegria de viver tem que vir naturalmente de nossos corações, sem termos que pensar em quem está pior ou melhor que nós. E mesmo com tantas dificuldades características de nossas vidas, existem, em grande número, as pessoas que vivem um eterno e bizarro paradoxo: Morrem de medo de morrer. Por isso que eu repito as palavras do célebre homem, tão importante na história de nosso país, que disse: "Não tenho medo da morte, tenho medo da desonra." Em meio a tantos desafios diários, as pessoas, em vez de se preocuparem com suas integridades morais e com a superação de suas dores de forma, pelo menos em partem pura, elas preferem amar incondicionalmente as vidas mediocres que levam corrompendo suas personalidades fracas e almas retrógradas. Medo de morrer? Quem tem medo de morrer quando a morte é comercializada? Quem tem medo de morrer quando o que mais importa na vida é a auto-realização ás custas do sofrimento alheio? Quem?
A grande maioria da humanidade.

E ainda existem pessoas que podem me criticar e acusar de apologias contra a vida e a favor da morte... Encarar a morte como uma amiga não é detestar a vida. Apenas digo o que penso porque medo da morte é um tormento voluntário, já que é a única certeza que temos nessa vida desde quando surgimos através da união de duas pequenas células... o milagre e o mistério da vida continuam fascinantes e fico muito feliz e grato por saber que estou simplesmente vivo. Mas como já dizia o poeta, a vida é um longo sonho, que por várias vezes se torna um pesadelo, mas um dia chega a hora de despertar...

E do mesmo jeito que um condenado não teme e até espera ansiosamente pelo dia da sua libertação, como eu, pobre espírito aprisionado na carne, posso temer a morte, a libertação?...

Rafael Victor

domingo, 10 de abril de 2011

Nunca deixe de usar filtro solar!

Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: usem o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de Filtro Solar estão provados e comprovados pela ciência;
Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.
Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês...

Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos e perceber, de um jeito que você nem desconfia hoje em dia, quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente e como você realmente estava com tudo em cima,
Você não está gordo ou gorda...

Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba quepré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.
As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta.

Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.

Cante.

Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima, às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.

Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.

Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.

Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.

Faça o que fizer, não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você:
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo, é assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo; use-o de toda maneira que puder,mesmo!!
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele;
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.

Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.

Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se
achar feio

"Irmãos e Irmãs
Juntos, nós vamos conseguir
Algum dia um espírito nos guiará
Eu sei que vocês vêm sofrendo
Mas eu tenho esperado o momento estar lá com vocêsE eu estarei lá, ajudando
Sempre que eu puder..."


Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.

Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns
poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.

More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.

Viaje.

Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer.
E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos!!
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada. Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar.
Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.
Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas no filtro solar
Acredite.

Pedro Bial (Versão do original de Tim Cox e Nigel Swatson)

Assistam ao vídeo no link acima!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Falar sobre amor


No mundo e na vida não existe nada mais complexo que o amor. O amor é um sentimento um tanto quanto ambíguo, podendo ser bom ou ruim, podendo ser feliz ou triste, podendo ser correspondido ou não...

Mas muito mais difícil é falar dessa emoção que sai habitando os corações humanos sem o mínimo de piedade para com eles. Se formos até a rua e perguntar o que é o amor vamos receber várias respostas variadas. E pode variar de nome, pode variar de forma, de gênero, de jeito, mas sempre será o nosso velho e AMADO amor! E, convenhamos, mesmo que eu fosse o maior poliglota do mundo, sem ele eu nada seria...

Um pensador famoso certa vez disse para o mundo: "Penso, logo existo!"
Mas eu adoraria tê-lo conhecido para fazer o simples, porém verdadeiro, acréscimo:
"Existo, logo eu AMO!"

Mas pra você, o que é o amor? Que significados ele tem para você?

"É um fogo que arde sem se ver, é uma dor que desatina sem doer..."

Sim, ele é. Porque quando quer, ele dói. Dói de um jeito inexplicável, porque não existe nervos do amor. Dói na alma, no espírito. A dor da saudade nada mais é que uma complicada extensão do amor, porque só sentimos a falta desesperada daqueles que amamos. A dor do amor não correspondido também vem massacrando verdadeiros parias da humanidade por séculos; quando se ama verdadeiramente tudo o que pedimos em troca é uma moeda que não tem preço nenhum: o próprio amor.

Porém, devemos tomar cuidado! O amor de verdade não se importa, não se envaidece, não sente inveja e só quer a felicidade dos entes amados. Mas um pouquinho de ciúme ele até que tem, porque zelo nunca é demais...

E a carne? Até onde vai o amor e onde começa a paixão, a lascívia, a luxúria? Como saber que o desejo pela carne tem sentimentos profundos, como?

Amor próprio: para saber amar os outros, ame-se também. Se você se odeia, todos irão lhe odiar também. Mas quando temos amor em nossas vidas, por nós mesmos, pela vida, pelas pessoas que nos rodeiam, pela natureza, por Deus, nós irradiamos amor e todos passam a nos amar também. E então, me perguntaram: "Só amizade?" E eu: "Como assim amizade?" Pois é, a amizade é amor sim, quem disse que não? Como já disse, só com um nome diferente e uma forma diferente, mas acima de tudo amor. Amor desinteressado, amor sem desejos, porém, amor. Simplesmente amor.

E depois de tanto falar de amor, eu não falei nada sobre ele. Bem, falei do amor na minha vida... e na sua? Ele, o amor, tem vida própria e é ele que nos escolhe e escreve nossas histórias. Você sabe qual a história que o amor escreveu em sua vida? Não importa se foi feliz ou triste, o que importa é que você teve amor na sua vida e mesmo histórias tristes sempre ficam mais bonitas no final quando ele está no meio...

Não, o amor não é complexo. Nós é que somos e complicamos ele para adequá-lo as nossas personalidades conturbadas. Mas também, que culpa temos nós se não vivemos sem esse sopro vital para os corações dos homens e das mulheres?

"Mas como causar pode o seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo amor?"

Rafael Victor

sábado, 19 de março de 2011

Um Anjo perdido

Era um garoto aparentemente normal. Um garoto, como todos os outros, perdido num mundo gigante e cruel. À primeira vista, se misturava facilmente a todos os seres humanos normais. No entanto, ele era muito mais do que um ser humano normal.

Começou sua jornada terráquea na forma de um infante. Criança quieta, com comportamentos incomuns para sua idade e sua condição. Todos percebiam, mas não se importavam. A diferença era tão visível, mas ninguém enxergava. O caminho biológico era de vital importância para o cumprimento de sua missão; era necessário continuar assim no anonimato. O ano
nimato era tão grande, que nem mesmo ele, arcanjo superior de nosso senhor, sabia de seu segredo - uma grande prova de humildade.

Então, o garoto foi crescendo, e como estava da Terra, tinha que se inserir nele de qualquer forma. E assim foi ele, tentando. O mundo lhe era muito estranho; não a natureza e toda criação perfeita, mas os seres que habitavam esse lugar, que poderia ser tão maravilhoso. Ele enxergava e se revoltava com a humanidade, com sua ingratidão, com sua inconformação, com sua ganância, com sua cegueira. Quanto mais ele tentava fazer parte dessa humanidade, mais se sentia excluído, diferente. E como era o que era, não passava despercebido, mesmo com todos os seus disfarces. Sua inteligência brilhante e virtudes sublimes chamavam a atenção, a admiração e, por vezes, a inveja daqueles que conviviam com ele.

As cobranças do mundo eram tantas, que ele tentou se comportar de maneira compatível com a opinião geral. Nessa tentativa não conseguiu sucesso; sofrimento foi tudo o que conseguiu e nem se importou muito, pois essa era sua rotina. Relacionamentos inter-pessoais eram outro desafio para ele, que não conseguia se interessar de maneira profana por ninguém; o mais próximo que conseguia se aproximar de uma pessoa era pelos laços de amizades verdadeiras, aos quais dava muito valor a ponto de dar sua sagrada vida por elas. Com suas palavras e sentimentos, marcava os corações e as mentes das pessoas, sem nunca ser esquecido...

Todos esses problemas perturbaram por muito tempo a mente tão conflituosa desse garoto. Nada no mundo fazia sentido para ele, mesmo que ele o amasse e amasse muito a humanidade de uma forma bem piedosa, um amor por caridade...

Então ele descobriu. Lá estava ele, sozinho, em uma de suas tão comuns crises melancólicas, com saudades de coisas que ele não sabia, não se lembrava, com aquele vazio no peito, com aquele pedaço perdido de sua alma, quando de repente sentiu uma forte dor nas suas escápulas e na cabeça também. A Dor era terrível e parecia se estender de suas costas para além. Rapidamente, ele tirou sua camisa e correu para o primeiro espelho que viu, a fim de ver se tinha algo que pudesse estar provocando aquela dor. Foi então que ele viu. Não viu só o que tinha atrás
de suas costas nem acima de sua cabeça. Viu todo o seu passado, não só dessa vida, como também do lugar de onde veio e tudo foi esclarecido em sua mente. Lágrimas brotaram de seus olhos e a saudade perfurou seu coração quando ele viu duas enormes asas de penas alvas e brilhantes se estenderem de suas costas e um ponto luminoso em sua cabeça... Agora tudo fazia sentido; agora ele lembrava de tudo, de toda sua missão com a Terra e com a humanidade. Lembrou de histórias e de acontecimentos sagrados, bem com a tradição de um dos quatro arcanjos sagrados visitarem o mundo escondidos sob a forma humana a cada quinhentos anos, afim de trazer a luz que de tempos em tempos se apaga nos corações humanos.

Aquele que cura estava na Terra novamente, pronto para cumprir sua missão. Naquele, momento, fitando suas asas, ele sabia disso. Seu caminho ainda continua obscuramente um mistério e grandes desafios estão por vir. Mas o garoto tem uma certeza: "Eu vou conseguir"! O peso daqueles dois membros adicionais e daquela luz sobre sua cabeça é enorme, e é preciso muita coragem para continuar... Mas sim, ele vai conseguir, pois é um Arcanjo de nosso senhor...
E um dia, quando tudo acabar e a paz e a luz do Pai dele reinarem incomensuravelmente nos corações dos homens, ele estará pronto para voltar para casa, para junto de seus irmãos, de seu pai e de sua mãe...

Mas por enquanto, ele ainda é só um anjo perdido...

Rafael Victor



Mãos Dadas











Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade