Rafael Victor
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Recém-liberto
A sensação de recém-liberdade é como a de um pássaro que, miraculosamente, conseguiu retirar de suas asas todo o petróleo viscoso que pesava e o impedia de alçar sua simbólica liberdade. Como é bom voar...
Sirius, madrugadas e cachos
Sim! Havia alguém. Existia uma tal pessoa, assim, que o fazia sentir-se leve. Sentir-se fluido. Até mesmo feliz. E o simples encontrar com essa pessoa (que a cada momento se afirmava como qualquer coisa, exceto simples) era capaz de trazer uma verdadeira Sirius desvirginando a escuridão de sua vida que, em nenhuma das madrugadas nunca antes vistas, não possuía sequer a ideia de um ponto luminoso. Então, naqueles momentos era assim: tudo luz e calor. Luz, calor, olhos miúdos sorridentes, e cachos. Ah, os cachos... Além dos olhos, do sorriso, dos pulos sobre as ancas dele, sobretudo os cachos. E ele, assim, se julgava encantado com um anjo, anja, arcanjo, divindade, tal grau atingia seu romantismo marinho. E a tal pessoa, em todo seu jarro aerífero, se deleitava com a alta estante em que estava alocada na vida dele. E até se ria um pouco.
Mas houve ventos, tempestades, coisas da vida, e tudo ficou nublado. Graças às nimbus, cumulus e cumulus-nimbus, por ora apelidadas por ele de distância, tempo e ausência, ainda existia aquele amargo saudosismo, aquela falta tremenda de seu jarro cheio de cachos, que só cooperavam em trazer a escuridão de volta, escondendo a luz, fazendo sumir a esperança, trazendo de volta o breu típico das madrugadas nunca antes vistas.
Onde estará agora a branca-azulada Sirius que emitia tanta energia térmica e eletromagnética, hibridizando as negras madrugadas em dias azuis, em domingos sorridentes? Onde estará ele agora, sem nenhuma cor visível, sem aquelas pernas ao redor de seu tronco, sem aqueles sorrisos pupilares, sem aquele jarro naquela estante alta, e, sobretudo, sem aqueles cachos? Se não havia nada antes, decerto está no nada agora. Se algo importava antes, será que algo importa agora?
Talvez esteja em busca. Em busca de calor, de luz. Da Sirius, das pernas sobre as ancas. Dos Olhos, dos pulos e das pupilas. Do jarro e da estante alta. Talvez esteja em busca. Sobretudo, dos Cachos.
Rafael Victor
Inspirado em pessoas, fatos, sentidos, imaginações e escrito quase ao som de "Explode Coração", Gonzaguinha.
Frase sem efeito
A vida não é mãe, é madrasta. Mais que isso: é capoeirista; não cansa de dar rasteiras, em sequência. Ainda bem que a gente sabe pular.
Rafael Victor
domingo, 2 de novembro de 2014
Sobre atuar
Não quero viver na dura realidade, encarando a verdade crua do mundo semi-material, fantasiando problemas e soluções. Quero vivenciar minhas fantasias, criando dentro de minha própria realidade particular, com toda minha verdade.
Rafael Victor
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Você
De repente você muda tudo, e tudo muda você.
Você que andava sozinho, agora anda acompanhado.
Você que com tudo se emocionava, chorava, agora se surpreende com as risadas que dá frente a tudo.
Você que sempre se desesperava, agora, seja por exaustão, seja por evolução, se depara tranquilo com as vicissitudes.
Você, que costumava sofrer por amores platônicos, agora voa livre entre vários amores e, contra sua vontade, é alvo do platonismo de outrem.
Você que costumava sonhar acordado, agora acorda dentro dos sonhos e os torna sua realidade particular.
Você, que se entregava à apatia ociosa, agora se lança ao superlativo furacão de atividades.
Você, que ansiava por se entregar aos braços do anjo mais piedoso para com a humanidade, agora aceita e até se deleita com as vastas possibilidades que a vida física pode lhe trazer.
Você que tinha medo de tudo, continua com vários medos, mas agora se permite ousar.
E por mais mudanças que tenham havido, você continua você, mais do que nunca você. E você, aos poucos, sem perceber, aceita você, assim, como é.
Rafael Victor
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